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25 de janeiro de 2013


claustrofobia

Fui falar sobre o amor, fui escrever sobre o amor e sem querer percebi que eu amo tanto que não sei amar. Eu não sei o que fazer com o amor, eu exagero, eu me perco, eu tenho medo e assim eu afasto lentamente as pessoas. O amor vira claustrofobia dentro do meu peito e quando sai é ofegante, é descontrolado e mesmo com rumo se perde no exagero. Eu entrego tudo com medo de não receber nada, eu entrego tudo porque o amor fica latejando, ele se alastra como uma doença no meu corpo. E cada novo amor tem mais dificuldade de encontrar espaço porque o antigo continua ali numa espécie de cativeiro, pra ser exemplo de como as coisas sempre mudam. O que ele era já não é mais, o que ele é hoje um dia não será mais. Fui falar de amor e percebi que ele é o que é sempre a estar de modos diferentes, e não há nada que me apavore mais. Por isso eu queria sentir um amor tão grande, mas tão grande, que não acabasse nem mudasse, e que não causasse claustrofobia nas pessoas.
Na verdade eu sempre me perco, quando tento me encontrar em alguém.Sempre!!

9 de janeiro de 2013

Ele não sabe brincar


Porque gostamos de quem não gosta da gente.


Dormindo com o inimigo
E durante anos esse assunto me intrigou “por que presamos quem nos despreza e desprezamos quem nos presa”.
Noto que desejamos ser amados e importantes para alguém. Isso é até obvio. Mas porque exatamente no momento que somos amados algo dentro de nós nos paralisa? E por que gostamos de alguém no exato momento em que nos sintimos rejeitados e isso até intensifica o desejo?
Bem, vamos por parte.
Esse sentimento de amor interrompido é vivido pela primeira vez na relação com os pais. É o primeiro amor proibido e que nos é negado pela cultura, não podemos concretizar nossa intenção amorosa com os pais. A não ser no plano da idealização.
Essa relação passa a configurar o primeiro triângulo amoroso da nossa vida. Aquele quem eu desejo não me deseja. A primeira desilusão amorosa e dor sentimental fica registrada em meu inconsciente.
Em nossas peregrinações amorosas buscamos outra possibilidade de amor. Mas já carregamos essa primeira ferida.
Em torno da dor criamos barreiras e medos que nos assombram a cada vez que nos sentimos envolvidos pelo amor.
Quando notamos alguém que nos ama aquele sinal de alerta inconsciente dispara “CUIDADO, você va se machucar, não se prenda a ninguém”.
Esse temor de viver uma história concreta e não idealizada de amor nos congela a alma. Pois nos confere responsabilidade (“tu te torna eternamente responsável por aquele que cativas”) e esse sentimento nos apavora. O de não sermos bons o suficientes para preencher o amor dos outros. Diante do amor alheio nossa criança ferida recua e teme viver uma intimidade, o apego e a possibilidade do fracasso, rejieção e abandono.
Já a posição de rejeitado é confortável, pois ficamos num eterno embate com um rival inimigo. Essa raiva misturada com desprezo nos coloca num vitimismo queixoso e paralisante. Ficamos estagnados no tempo e espaço à espera daquela pessoa amada. Perdemos a responsabilidade pela nossa vida e ficamos à mercê de outra pessoa. Dependo dela para ser feliz e não mais de mim.
Do contrário, ser amado me confere uma responsabilidade para com o sentimento alheio que talvez não me sinto preparado. A realidade é sempre desconfortável se comparada com a idealização. E diante da realidade de alguém que me ama também sou colocado diante de meu ressentimento do passado, a sombra irrompe e diz: “Agora seria um bom momento para fazer essa pessoa experimentar um pouco do que eu sofri”.
Nessa hora surge o nosso sentimento de desprezo pelo outro, achamos as demonstrações de afeto da pessoa bobas e melosas. O amor dela nos parece tolo e infantil e assumimos a posição dos nossos pais que nos proibiram o amor.
Por isso que quando alguém que desprezávamos desiste e segue em outra direção passamos a valorizar aquela demonstração do passado, pois daí passamos à condição de vítima e já não somos mais responsáveis por corresponder à altura do sentimento alheio.
Amar e ser rejeitado me coloca diante da raiva passiva.
Ser amado me coloca diante da responsabilidade de uma realidade de amor.
E disso dependeria minha felicidade.
Mas no fundo preferimos a fantasia à realidade. A rejeição vitimizada ao amor maduro. Preferimos a infância à vida adulta.
Amar me faz poderoso, ser amado me torna vulnerável. Dar me confere força moral, receber me expõe aos medos e inseguranças.
Por isso é mais fácil amar do que ser amado!

8 de janeiro de 2013

Sexo:A melhor preliminar do mundo



Acho curiosa a tendência das pessoas em se perguntar o que elas devem fazer na cama quanto à preliminares, se devem tocar mamilos com duas mãos ou com uma só, se apertam ou beliscam, se chupam ou lambem, se colocam óleos ou vão na brutalidade.


Dentro e fora da cama
Concordo completamente que existem pequenos macetes que funcionam com mais eficiência do que outros, mas me parece que isso deveria ser uma preocupação de quem está se iniciando nas artes do desejos.
Para os mais experimentados essa busca incessante por fórmulas sexuais mágicas está mais parecida com um artista inventando novos truques para impressionar a platéia.
Existe algo bem mais poderoso que qualquer preliminar. E eu vou contar o que é.
Imagine um cara que acabou de conhecer uma garota, ele sentiu uma força percorrer o corpo dele com muita intensidade. Ele não estava passando por uma boa fase, estava confuso com os rumos que sua vida tomaria, percebeu que cometeu muitas bobagens ao longo de seu último relacionamento. Aquele que sempre se achou seguro de tudo se sentiu como um menino novamente ao conhecer essa garota.
Ele toma coragem, aborda a contemplada e eles começam uma viagem emocional muito profunda que não sabem descrever com precisão. Se tentassem explicar não conseguiriam, pois não poderiam se dizer amigos, muito menos amantes, nem namorados ou ficantes, a conexão deles se dava em outro nível.
Eles sequer tinham se beijado, mas conseguiram passar dias conversando, trocando mensagens, notas no facebook e e-mails com indicações de filmes, músicas e histórias felizes e tristes do passado.
Num novo encontro não sabiam como expressar o que sentiam, isso também não era importante, apenas sabiam que aquilo não era algo comum, afinal eles dois não se conformavam com experiências comuns.
Em muitos momentos do encontro tinham a plena certeza de que o timming de um beijo já tinha mais que passado, mas mesmo assim não conseguiam romper aquela distância mínima entre o cochichar no ouvido e o toque dos lábios. Tinham medo de que se algo desse errado e as línguas não se surpreendessem saborosas muita coisa podia se frustrar. Talvez parassem de se tratar com aquela naturalidade carregada de frescor e liberdade de dois seres que não se pertencem, mas são íntimos a ponto de terem uma década de história em cinco minutos de conversa.
Ousados como são resolvem romper o tabu e o beijo chega de fininho, cheio de cuidado, ternura e calor. Descolados os lábios eles se olham e nada precisa ser dito, chegaram em casa. Aquela sensação natural de encontrar um abrigo no abraço do outro se consolidou. Dali em diante tudo seria só um descortinar natural em que perguntas do tipo “devo ligar em dez minutos ou dez horas” ou “será que ele só queria sexo” não fazem nenhum sentido. Tudo se consumou naquela interação despretenciosa.
Seria bem informativo para os narcisistas fissurados em performance retratar se ele a penetrou nessa ou naquela posição para arrebatar seu coração de mulher madura. Qual teria sido o toque decisivo.
O que eu posso responder é que a melhor preliminar que alguém pode fazer no sexo é sua própria vida. Esse é o afrodisíaco mais potente e gostoso.
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6 de janeiro de 2013

Curativo para feridas antigas...

“A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. As vezes esse alguém aparece, outras vezes, não.” 
__ Caio Fernando Abreu.

Pé na bunda!!

Se você é da quelas mulheres que liga varias vezes ao dia para o homem, perguntando onde você está ? Que horas vai voltar ? E fica com aquelas crises de ciúmes... Parabéns você esta no caminho certo de levar um pé na bunda ;)

16 de dezembro de 2012

Quando a gente aprende à ir embora.




  1. Quando a gente aprende a ir embora.
    Algumas pessoas dizem que uma das coisas mais difíceis em relacionamentos é o primeiro “eu te amo”. Aquela velha história de quem vai falar primeiro e qual vai ser a reação do outro ao ouvir (e retribuir)
     a frase de efeito mais conhecida dos últimos tempos. Outros dizem (e eu concordo) que a coisa mais difícil não é o momento certo de dizer que ama, ou a primeira noite de sexo do casal, ou conseguir manter a convivência, ou controlar os ciúmes. Não, isso faz parte. A coisa mais difícil é reconhecer o momento exato em que um relacionamento acaba.

    Se apaixonar é fácil quando comparado a renunciar uma história escrita a quatro mãos. É uma vida a dois que chegou ao dilema entre dar mais passos à frente e pisar em falso ou fechar a porta e deixar a chave na cabeceira. É complicado quando a gente reconhece que a relação já não tem mais futuro e não acrescenta em mais nada. Esse tipo de coisa não acontece de um dia pro outro, mas resulta de um processo que pode ter sido iniciado por uma razão qualquer. Uma das partes pode ter acordado e achado estranho aquele braço por cima do seu corpo durante a noite. Ou pode ter visto uma das fotos antigas e não ter se encontrado nos dias mais recentes com aquele sorriso de antes. São indícios delicados, frases quebradas, contatos minuciosos que indicam que chegou ao fim.

    Sem ser sutil demais agora: desistir de uma relação que não tem mais profundidade nem se mostra prazerosa para um dos envolvidos não é tarefa fácil. É necessário pensar, repensar, pesar as coisas e tomar uma decisão que põe em risco milhares de situações para cada um deles. Existe aquela ligação sentimental, seja de carinho, seja de relembrar tudo o que foi vivido em conjunto. E daí vem aquela hora de pensar sobre o que seria melhor: continuar por comodidade (e abrir mão de novas descobertas e evoluções a dois para manter intacto algo que pode ser estrondoso caso termine) ou arriscar ir embora para tentar ser feliz. Tem também o caso de não deixar que o outro vá embora pelo sentimento de posse que ainda se tem. É mais fácil continuar numa relação vazia e furada do que permitir que a outra pessoa seja feliz sem você.

    Não vou entrar no debate entre valer a pena ou não e, principalmente, se foi amor ou não. Mas chegou ao fim. É aquele momento em que você percebe que amor não é tudo numa relação. Que conviver, confiar, enxergar além do outro, manter vivo o dinamismo e as experiências cotidianas são muito importantes também. Ou que tudo isso é até mais importante que o próprio sentimento de amor. É hora de abrir mão de um presente estável e mergulhar na sensação de estar perdido no mundo novamente, principalmente se a relação atravessou anos ou tempo demais para ser destacada de maneira fácil. Quando a gente aprende a ir embora, a gente aprende a deixar pra trás coisas que fazem parte de nós ou que nos tornaram o que somos hoje. Talvez não seja tão difícil assim como eu digo. Talvez seja só um drama bobo de comédias românticas que quase ninguém vive por aí. Mas desalojar velhos conhecidos pode ser realmente um grande aprendizado.

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